Pastores sem Tempo de Ter Medo

Nem sempre o medo é uma fraqueza. Nem sempre o medo é prejudicial. Nem sempre o medo é doentio.

No penúltimo capítulo da segunda carta de Paulo aos Coríntios, três vezes o apóstolo afirma que está possuído de medo (12.20-21):

“Tenho medo de que, ao chegar aí [em Corinto], eu os encontre diferentes do que eu gostaria que fossem e que vocês me achem diferente do que gostariam que eu fosse”.

“Tenho medo também de encontrar brigas e ciumeiras, ódio e egoísmo, insultos, falatório, orgulho e desordens”.

“Receio ainda que na minha próxima visita [a Corinto] o meu Deus me humilhe diante de vocês e que eu tenha de chorar por muitos de vocês que continuam a cometer os mesmos pecados que cometiam no passado e não se arrependeram de sua imoralidade sexual, nem das relações sexuais proibidas, nem de outras coisas indecentes que faziam”.

O que dizer desse medo de Paulo? É uma vergonha ou uma extraordinária virtude? O medo do apóstolo nasce de uma qualidade ministerial: o zelo de um pastor que não abandona as ovelhas. A igreja seria outra se seus pastores tivessem tempo para ter medo. Pastores sem esse tipo de medo não são pastores exemplares. Na verdade são péssimos pastores, parecidos com aqueles pastores mercenários que não se importam com as ovelhas (Jo 10.12-13). Jamais deveriam ser ordenados e exercer o ministério. Os seminários precisam formar pastores com medo, em benefício da igreja, que é o Corpo de Cristo.

O medo de Paulo no contexto da passagem de 2 Coríntios 12 não é um detalhe que deve passar desapercebido, mas um comportamento que deve constar em sua biografia. Frente ao problema mencionado, o apóstolo poderia encolher os ombros e se justificar: “Se os coríntios querem viver esse tipo de vida, que vivam”.

O medo de Paulo tem fundamento. A igreja de Corinto tinha sido exortada várias vezes tanto pela palavra falada como pela palavra escrita (nas três cartas anteriores). Até a ocasião da segunda carta (que é na verdade a quarta), os coríntios continuavam andando segundo a carne. Agora, na véspera de mais uma visita à cidade, o apóstolo sofre por medo de encontrá-los no mesmo estágio. Se os encontrasse assim, Paulo explica: “Não vou ter pena de ninguém” (2Co 13.2). Essa dureza tem um objetivo pastoral e terapêutico: “Essa autoridade é para fazer com que vocês cresçam espiritualmente e não para destruí-los” (2Co 13.10).

Não se sabe se nessa visita a Corinto (2Co 13.1) o apóstolo teria encontrado uma igreja ainda caracterizada por animosidade, arrogância, brigas, calúnias, ciúmes, contendas, debates, desordens, insolências, intrigas, inveja, maledicências, ódio, porfias, raiva, rancor, rixas, sedições, tumultos, violência etc. Além do leque fornicação, imoralidade, impudicícia, lascívia, libertinagem, luxúria e outras relações sexuais ilícitas. Tomara que não!

Fonte: Revista Ultimato – edição 355 – Artigo de E.César

http://www.ultimato.com.br/revista

 

Um Comentário
  1. Sandra Pacheco

    Uma reflexão muito importante sobre o tipo de pessoas que estão a frente de nossas igrejas. Devemos esperar o comprometimento de nossos líderes, não só em palavras mas em obras, frutos, honestidade, dedicação, zelo para com o rebanho de Deus.

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